terça-feira, 22 de março de 2011

MINHA INFÂNCIA EM ROLÂNDIA - ANOS 60

BONS TEMPOS QUE NÃO VOLTAM MAIS

Nasci na cidade de Rolândia, norte do Paraná, mas sempre tive um pé na cidade e outro nos sítios de café dos meus avôs e tios. A partir dos meus 8 anos passava todas as minhas férias no sítio do meu avô materno Juan Martin. Lá morava o meu primo mais querido, o Toninho, conhecido por Preto. Como era costume, as crianças a partir dos 8 anos ajudavam os pais na lida do café e dos cereais. Eu, meu primo e irmãos ajudávamos os avós e tio até as 15 horas e depois éramos liberados para brincar. O nosso trabalho era capinar, limpar os troncos dos cafeeiros para facilitar o rastelamento, panhar café, "virar" o café para secar no terreirão, amontoá-lo à tardezinha, ajudar a lavar os grãos para separar a terra e impurezas e ajudar a ensacar. Uma certa época, nos anos 60, minha mãe pegava café para separar as impurezas em casa. Os comerciantes de café cediam umas máquinas onde os grãos caiam em uma esteira de pano. Com um pedal íamos
movimentando a esteira e tirando os torrões, pedrinhas e pequenos pedaços de madeira. Eu e meus irmãos ajudávamos todo dia a nossa mãe. Era uma maneira de ajuntarmos uns troquinhos para assistirmos o matinê do cinema aos domingos. Até hoje me lembro de cheiro do café beneficiado. Na década de 60 teve um ano que o preço do café caiu tanto que as maquinas de café cederam de graça aquele café mais quebrado. Meu avô pegou logo uns dois ou três caminhões para usar como adubo. Lembro-me que vinha muita gente pegar aquele café para torrar e consumir. Mais tarde, já mocinho viajava sempre com meu pai (que era corretor de terras) para mostrar propriedades agrícolas aos seus clientes. Por todas as estradas que andávamos de jipe víamos apenas enormes cafeeiros. O norte do paraná era um imenso cafezal. O mais lindo e vistoso do mundo. Pés com até 2,50 metros, verdinhos e saudáveis. As nossas terras sempre foram as melhores do Brasil. Quase
todos os proprietarios davam empregos para os porcenteiros. Estes trabalhavam muito e tinham muita fartura. Criavam uma vaquinha, porcos e galinhas, tinham um cavalo com carroça. Aos sábados na roça infalivelmente acontecia os bailes de sanfona de barracas cobertos com lona. Havia uma amizade sincera e muito companheirismo. Os jovens voltavam a pé para a casa sob a lua cheia, conversando e contando piadas. Falávamos sobre as namoradas para quem ainda não havíamos declarado o nosso amor5. As domingos a diversão era banhos na cachoeira, pesca, caçar passarinhos com estilingue e futebol. A noite meu avô sempre recebia os amigos para ouvir as notícias no rádio. Eu e meu primo fícavamos ouvindo sentados ao lado do fogão caipira, tomando café e comendo pipoca feita com gordura de porco. Após ouvir as notícias meu avô, meu tio e os amigos começavam a contar causos de assombração. O duro era dormir com a lamparina apagada com medo de que
aquelas assombrações fossem aparecer. Me orgulho muito da infância e juventude que tive aqui em Rolândia-Pr., dividindo o meu tempo entre cidade e sítio. Amo minha região e minha família. Temos aqui uma das melhores terras do mundo e um povo honesto e trabalhador. Sinto saudade daqueles tempos e se pudesse viveria tudo outra vez. Um abraço a todos os norte paranaenses. Deus abençoe a todos. JOSÉ CARLOS FARINA - ADVOGADO - ROLÂNDIA - PR.

TREM TRANSPORTAVA TUDO ( ROLÂNDIA )

BONS TEMPOS DOS TRENS
Nas décadas de  30 a 60 os trens da antiga R.F.F.S.A. tranportavam pessoas, mercadorias em geral e até animais vivos. Lembro-me que meu saudoso pai José Farina Filho um dia procurou o chefe da Estação ( o Sr. Vasconcelos)  e perguntou como que ele podia fazer para enviar pelo trem uma leitoa viva para um cunhado dele em São Paulo. Eu estava junto e lembro-me que o Sr. Vasconcelos aceitou a encomenda e pediu ao meu pai que fizesse um engradado do madeira, com ventilação, e que colocasse dentro uma vazilha com água e outra com comida. O porquinho seguiu viagem à noite, por volta das 20 horas e chegou lá em São Paulo no outro dia por volta das 13 horas. O meu tio estava esperando a encomenda na antiga Estação da Luz, e a leitoa foi o prato principal da ceia de natal da familia. Hoje é  impossível você tranportar uma animal vivo nos trens da ALL. JOSÉ CARLOS FARINA - ADVOGADO - ROLÂNDIA - PR.

ROLÂNDIA TINHA ABATEDOURO MUNICIPAL DE GADO

TEMPOS ANTIGOS
FOTO by FARINA
Nos anos 50 e 60 Rolândia possuia um frigorifico municipal de gado. Ele funcionava alí abaixo da linha férrea, nas proximidades do conjunto Manoel Muller (próximo ao rio). Lembro-me vagamente do local. Tinha o curral e o lugar do abate. Era tudo muito simples. A higiene não devia ser das melhores. Quando chovia era um barro só. Na estiagem muito pó. O açougueiro levava o boi e a prefeitura abatia e cobrava uma taxa. Depois que o abatedouro foi fechado a maioria dos açougueiros abatiam o gado em instalações primitivas e sem higiene. Transportavam as carnes em cima dem kombis ou camionete com pouquíssima higiene. Muitas pessoas se contaminavam e nem sabiam que a causa era a carne sem inspeção sanitária. Foi na primeira administração de José Perazolo que começou o serviço do vigilancia sanitária na cidade. A partir então de 1990 é que a população começou a consumir carne com inspeção sanitária. Lembro-me que vários açougueiros da época "desceram o pau" em Perazolo por causa desta exigência. Hoje sabemos que Perazolo estava coberto de razão. O primeiro abatedouro com inspeção em Rolândia foi o do Carlinhos Pinheiro. JOSÉ CARLOS FARINA - ADVOGADO - ROLÂNDIA - PR.