sexta-feira, 11 de novembro de 2016

JARDINS E FAZENDAS DE ROLÂNDIA - PR.

DANIEL STEIDLE

ASSUMIR DE CORAÇÃO ESTA PÁTRIA...
A pioneira, fundadora e jardineira da Fazenda Santa Cruz, Karin Schauff, escreveu em seu livro “Jardins Brasileiros” sobre: “o estranho hábito dessa gente do Brasil, que conquista e logo abandona, sempre especulando, comprando outras terras... E depois essas pessoas vêm e querem frequentar os nossos jardins...”

Chegamos a visitar, quase todos os domingos, outro jardim encantador. Da bióloga, pioneira, jardineira, escritora e artista plástica, Mathilde Maier da Fazenda Jaú, autora do livro “Os Jardins de Minha Vida”, também disponível em inglês e alemão. Havia e ainda há muitos outros jardins mágicos em Rolândia como da Anneli Jung, da Ilse Dietrich, da Hanchen Loeb Caldenhof da Fazenda Belmonte, da Mathilde Kempf, da Inge Rosenthal, da família Unbehaun, através da famosa “Chácara Rolândia”...


Eram coleções únicas e raras feitas por gente de fora que se encantou com a fauna e flora do Brasil e aqui assumiu, de coração, esta pátria. Neste nosso grande Brasil ou num município espaçoso como Rolândia ainda dá para “conquistar e abandonar terras”. Mas não seria muito mais sensato, assim como o “Pai do Plantio Direto” Herbert Bartz fez, de recuperar e cultivar a terra como se fosse um grande jardim?

Diz uma antiga história que fomos expulsos de um jardim todo especial e que nunca mais encontramos a felicidade. A notícia boa vem de um dos principais laboratórios de restauração ambiental do Brasil, do LABRE (Laboratório de Biodiversidade e de Restauração de Ecossistemas) da UEL, do professor José Marcelo Torezan que afirma: “da mesma forma que fomos capazes de destruir este belo jardim também somos competentes a reconstruí-lo”.

Utopia, fantasia? Depende do seu amor para com esta pátria, do “berço esplêndido”, da maior biodiversidade do Mundo!

Motivador e acessível de (re)ler é o clássico “O menino do dedo verde” que de forma poética, porém muito pé no chão, nos conduz a realizar outras soluções, perfeitamente possíveis, para resolver os enormes desafios da atualidade. Vale a pena conferir e descobrir que todos podemos desenvolver nosso "dedo verde"!



Na versão inglesa do livro da Mathilde, tem na capa uma de suas pinturas... plantas do jardim dela! DANIEL STEIDLE


Obrigado pelas referências, e por tanger pioneirismos românticos por esta terra roxa que encanta viajantes que passam por nossas vias expressas que cortam nosso norte paranaense. No bom português, "sim nós podemos", e não é somente com atos de relativa grandeza, mas sim com pequenos gestos, por ações isoladas subjetivamente. Mas com a essência da homogeneidade humana, portanto uma questão de todos nós. A questão não é talvez o que deixaremos pra gerações futuras, mas quem somos hoje! Perante o tempo a humanidade é uma só. A história é feita de espaços no tempo, mas a humanidade não. ELTON CHARLES PEREIRA