sábado, 6 de maio de 2017

ROLÂNDIA NA FOLHA DE LONDRINA ( DOIS CASOS DE CHIKUNGUNYA )

ATENÇÃO COM O AEDES - Saúde em alerta com casos de chikungunya em Rolândia

Fiscalização e conscientização com os moradores foram reforçadas


Fotos: Gustavo Carneiro
Miguel Kolarovicz contraiu dengue em 2015: "Sofri muito com dores e febre; não desejo isso nem para o meu pior inimigo"

Rolândia - Considerada uma cidade de pequeno porte, com população estimada em pouco mais de 64 mil habitantes, Rolândia (Região Metropolitana de Londrina) está em alerta com o Aedes Aegypti. Recentemente, o município registrou o segundo caso de chikungunya em 2017. A doença causada pelo mosquito se parece com a dengue, concentrando dores principalmente nas articulações, também pode levar à morte. 

O primeiro caso foi registrado no final de março, quando um morador deu entrada no sistema de saúde com sintomas. Ao passar por exames, foi constatado que tratava-se de chikungunya e que a doença havia sido adquirida na Bahia, onde ele passou férias. "O paciente voltou de viagem no dia 6 de fevereiro e só foi procurar o serviço de saúde no dia 30 de março. Foram realizados exames e a partir do histórico se constatou que se tratava de um caso importado", explicou o gerente de Vigilância Epidemiológica de Rolândia, Marcelo Marques Ferreira. 

A outra ocorrência foi autóctone (quando a doença é contraída dentro do município) e confirmada no final de abril pela Secretaria Municipal de Saúde. O paciente apresentou os indícios a partir de 24 de março e procurou atendimento na mesma data. "O paciente está bem, foi monitorado e acompanhado. Está tudo sob controle", disse Ferreira. 

Segundo o gerente de Vigilância Epidemiológica, as autoridades estão atentas para que Rolândia não registe mais casos, principalmente o autóctone, que foi o primeiro da história da cidade. A fiscalização e a conscientização com os moradores foram reforçadas. "Os agentes de Endemias estão indo nas casas e também estamos realizando várias reuniões com as equipes, enfermeiros, médicos e instituições de saúde", pontuou. 


"O descaso da população é muito grande; cada um precisa fazer sua parte", afirma Terezinha Francisco Batista

Desde agosto de 2016, quando começou o período epidemiológico, foram contabilizados nove casos de dengue e nenhum de zika. Já o último Levantamento de Índice Rápido para o Aedes Aegypti (Liraa) mostrou índice predial de 1,7%, que representa 0,7% acima do preconizado pela Organização Mundial da Saúde. "Apesar dos dois casos de chikungunya estamos em uma situação positiva, já que não precisamos receber a vacina contra a dengue, pois não tivemos surtos da doença nos últimos anos, e o nosso Liraa está baixo", ressaltou. 

Como forma de agilizar a confirmação e, posteriormente, o tratamento de dengue, chikungunya e zika, todas as UBS do município dispõem do teste rápido, descentralizando o serviço. Rolândia e Londrina são as únicas cidades que fazem parte da 17ª Regional de Saúde com a ferramenta. 

SINTOMAS 
Por possuírem sintomas muito parecidos, como dor de cabeça, febre e manchas pelo corpo, qualquer manifestação de alguma das três doenças causadas pelo Aedes precisa ser levada a sério para o diagnóstico e tratamento corretos. É contraindicado o automedicamento. "A partir do momento que o paciente tem febre e mais dois sintomas, ele precisa procurar o posto de saúde, onde serão feitos os exames, como a prova do laço", orienta Ferreira. 

CUIDADO REDOBRADO 
Em Rolândia, três são os bairros que apresentam os maiores índices de presença do mosquito Aedes aegypti (Jardim Rosângelo, Vila Odório e Água Verde), segundo o último Liraa realizado pela prefeitura, em abril. Nestes locais, os principais criadouros de larva são vasos de plantas, garrafas plásticas e piscinas. 

Moradora do Jardim Rosângelo, a dona de casa Rosana de Ramos está de olho com os possíveis focos. Mãe de três filhos, ela evita ter vasos com potes em casa para não acumular água. "Com o meu quintal o cuidado é grande; essa situação de dengue e outras doenças que vêm do mosquito preocupam muito." 

Vítima da dengue em 2015, Miguel Kolarovicz lembra sem saudades de quando adoeceu. "Sofri muito com dores e febre. Procurei o atendimento médico no dia seguinte aos sintomas e descobri que estava com a doença. Tratei e fiquei bem algum tempo depois, mas não desejo isso nem para o meu pior inimigo, porque é muito ruim", recorda. 

Após a doença, o cuidado na casa de Kolarovicz e nos terrenos em volta foi redobrado. "Sempre estou olhando as vasilhas e o quintal, para que não tenha nenhuma sujeira que possa vir a acumular água. As maiorias das flores também plantei direto no chão para ter o mínimo de vasilhas possível. Também estou sempre limpando os terrenos perto de casa", conta o aposentado, que reside na Vila Odório. 

Redobrando a atenção após descobrir a gravidez da filha, Terezinha Francisco Batista não estava sabendo sobre o caso de chikungunya no município. Informada pela FOLHA, ela se mostrou surpresa. "Bom saber porque vou tomar ainda mais cuidado", afirmou. Segundo ela, o principal problema é a falta de consciência dos moradores. "Se você não cuidar, não vai ter quem vai cuidar por você. O descaso da população é muito grande. Cada um precisa fazer sua parte", advertiu.

Pedro Marconi
Reportagem Local