terça-feira, 20 de dezembro de 2016

AMO LONDRINA E O NORTE DO PARANÁ

Eu amo Londrina, como amo também Rolândia e o norte do Paraná. Se tem uma pessoa bairrista esta pessoa sou eu. Aqui é um lugar de fartura, de gente trabalhadora e honesta. Quando viajo para fora do norte do Paraná logo sinto saudade da terra vermelha e das nossas paisagens repletas de soja, milho, feijão arroz e café.  Quando vou chegando, já me sinto mais feliz ao contemplar as primeiras paisagens rurais. Vou falar porque amo Londrina. Quando pequeno meu saudoso pai levava eu, meus irmãos e minha mãe para passear uma vez por ano em Londrina. Sempre no Natal. Meu pai aproveitava para comprar com preços "mais em conta" os nossos presentes. Íamos de jipe. Minha mãe, meu pai e minhas irmãs pequenas iam na frente. Eu e meus 3 irmãos íamos atrás na caçamba. Quando chegávamos na entrada da cidade meu pai  mostrava para nós uma indústria de verdade: a empresa Cacique de café solúvel. Para nós era uma novidade.  Rolândia nesta época só tinha um pequeno comercio, três empresas de beneficiamento de café e duas serrarias. Ao entrarmos em Londrina em época de Natal ficávamos encantados com tudo: mais carros nas ruas... os luminosos... as ruas enfeitadas com luzes piscando... muitas pessoas...  famílias inteiras andando na ruas... era o clima de natal nos anos 60... Não sabíamos para onde olhar. Tudo nos encantava. Meu pai abria a porta traseira do jipe e aquilo para nós era melhor que cinema. Pena que eu não tinha filmadora na época.  Meu pai sempre estacionava o jipe ali na Avenida Sergipe, perto da Rodoviária. Já era difícil conseguir vaga naquela época. Mas também todo mundo da região ia para Londrina para passear e comprar os presentes, roupas e sapatos para as crianças. Meu pai, e 90% da população, fazia as compras no "Armarinho Paulista" localizado quase que em frente a rodoviária da Sergipe. Lá encontrávamos quase tudo o que precisávamos. Minha mãe sofria muito dentro da loja. Tinha muita gente fazendo compras. Ela tinha muito medo de perder um dos filhos. Ela carregava a minha irmã Dolores no colo e eu e meus irmão tínhamos que ficar de mãos dadas para não nos perdemos no meio daquela multidão. Quando víamos os nossos brinquedos prediletos, ficávamos excitados e ai largávamos as mãos e cada um ia para um canto. Nesta hora minha mãe aos gritos chamava os seus "pequeninhos", igual faz a galinha com os seus pintinhos.. Zé Carlos... Paulo... Pedro... Marquinhos... peguem nas mãos... venham aqui! Dava bronca no meu saudoso pai: - José,  você também não ajuda... Cadê o Zé Carlos?  teve um dia que a mocinha do microfone me localizou pelo alto falante. Estava perdido e chorando e ouvi a moça falando assim: - Atenção Zé Carlos,  sua mãe está lhe esperando aqui no Caixa.  Perguntei para alguém onde era o tal Caixa que na época não sabia o que era. Chegando lá minha mãe chorando me abraçou e me entregou para o meu pai com a seguinte ordem: - Segura ele Zé e vê se não o perde mais. Meu pai ficou tão contente por ter me encontrado que acabou me presenteando com um revólver de brinquedo da "Estrela", com o coldre, espoletas de tiras, estrela do xerife e balas de plástico. Era um dos meus sonhos. Fui crescendo e o meu amor por Londrina também. Chegou a época do vestibular. Prestei vestibular e passei para o curso de direito na UEL em 1975. Com o fechamento do cinema em Rolândia, frequentava os cinemas de Londrina . Cine Vila Rica... Ouro Verde... agora mais recente os cinemas do Shopping Catuai. Casei e minha segunda filha nasceu no Hospital Evangélico.  Minha filha mais velha casou e o meu genro foi contratado para lecionar do Colégio Max e depois Sants James... sempre Londrina... Meu amor por Londrina é tão grande que um dos meus vídeos de maior sucesso no YouTube é o "Sete Locomotivas acelerando em Londrina". Falando em vídeos, para homenagear para sempre a minha querida Londrina gravei alguns filmes com o nome "Amo Londrina by Farina", onde me irmano com alguns londrinenses deixando mensagens eternas do nosso amor por esta cidade e região. Recentemente produzi um vídeo com o nome "Trem dos Pioneiros de Londrina" gravado na antiga estação de trens onde entrevistei um pioneiro de 1937. Neste dia  deixei algumas lágrimas pela emoção ao imaginar os pioneiros chegando e começando do zero uma vida nova no meio da floresta virgem, longe de todo o conforto.  Na hora da narração a voz embargou. Enxuguei a lágrima e continuei. Que lugar mágico aquela estação... aquele trem Maria Fumaça. Londrina deve tudo aos pioneiros, aos ingleses e ao Trem. Sou neto, com muito orgulho, de pioneiros, por parte de pai e de mãe. Meus avós estão sepultados em Rolândia. Terminando quero deixar mais uma vez vez gravado neste texto o meu amor e gratidão por esta região mágica em que nascemos, crescemos e queremos um dia ser sepultado.  (não estou com pressa)... Se alguém das atuais e futuras gerações lê-la e servir de exemplo e incentivo, ficarei imensamente feliz. Digo que vale a penar morar aqui... trabalhar... viver... lutar e se preciso for morrer por Londrina e pelo Norte do Paraná.  JOSÉ CARLOS FARINA  (advogado e blogueiro)